Cantinhos na Sala de Aula - Como foi a minha experiência?

   Amo trabalhar com cantinhos por dois motivos: a autonomia (e o amadurecimento!) das crianças ao longo do ano letivo e a funcionalidade de cada um deles.
   Lá na sala, temos o cantinho da leitura e o cantinho da brincadeira/jogos. O "cantinho das artes" foi improvisado por eles, com um painel metade quadro negro e metade quadro branco que ganhamos da escola. Existem muitos tipos de cantinhos que podem ser criados e explorados, mas adaptei apenas esses dois para minha realidade "física" (a sala é grande, mas não tenho tanto espaço, já que são quase 30 alunos).
   As atividades nos cantinhos são muito boas. Aos poucos, eles se tornam independentes ao mesmo tempo que aprendem a lidar com o grupo, sabe? Para mim, foi extremamente importante para observá-los enquanto indivíduos. Compartilho a minha experiência com vocês porque deu certo. Os cantinhos faziam parte da nossa rotina e ofereciam um leque de opções. Não era só ler ou brincar, às vezes eu me deparava com uma criança lendo um livro para outras (como eu faço com eles), ou então desenhando algo que tinham visto na aula, ou brincando de uma nova forma.
   Eu vi a autonomia deles crescer pois através desses momentos, em que eles se descobriam capazes de tomar decisões e compartilhar com seus colegas. Aos poucos, eles começam a ficar independentes e não precisavam de mim para orientar/coordenar cada momento da brincadeira, ou seja, tudo funciona bem sem a necessidade de intervenção do professor. Eu gostava de observá-los nesses momentos e às vezes, me organizava e deixava que eles brincassem um pouco mais livres (tem sempre algo pendente para ser feito, não é mesmo?).



   Com o #cantinhodaleitura, tomei muito cuidado ao apresentar os livros. Ensino como manusear, como passar a página, como guardar, como fazer a leitura. Pode parecer besteira, mas foi necessário que eles tivessem essa orientação. É muito importante que as crianças entendam como eles funcionam para que possam fazer essa atividade com autonomia no futuro. Não é só pegar o livro e passar as folhas com pressa. Na idade em que os meus estavam, eles já tinham contato com os livros na Educação Infantil, mas eram muito afobados. Disputavam, pegavam da mão do outro, nossa... Confesso que no início, ficava com medo de que a empolgação deles acabasse estragando os livros... Mas sempre oriento a cuidarem do nosso material para que a gente sempre tenha. Fazer com que eles entendam que tudo que está lá é nosso faz muita diferença.
   Eles gostam muito do cantinho da leitura. Sempre estabelecia combinados para que não ficasse aquele troca troca na estante, porque nós que estamos em sala de aula sabemos que qualquer pingo é motivo de tempestade... Quando estavam mais agitados, distribuía 15 títulos por mesa (cada mesa com 3 crianças). Quando tudo ia bem, deixava livre para que cada criança pegasse o seu. No final, eles já estavam mais na segunda etapa.


   Já o #cantinhodabrincadeira era deles. Era só eu falar "Recreação, momento da brincadeira" que corriam feito doidos para lá. Muitas vezes se machucavam e eu sempre tinha que chamar atenção... Sou daquelas que chama, conversa e às vezes tiro da brincadeira se for necessário... Aos poucos, aprenderam a levantar com calma e já iam organizando as brincadeiras entre eles. Eu achava o máximo, eles arrumavam o salão de beleza, a cozinha, a escola, a oficina, tudo... Brincavam juntos, mas ao mesmo tempo com aqueles amigos que mais se identificavam, sabe? Eu ficava encantada com a forma que eles se comportavam durante as brincadeiras.

   O cantinho de jogos era mais um espaço para organizar, pois eles jogavam nas mesas. A maioria dos jogos demanda tempo para explicar o objetivo, né? Não dá para dar um jogo e largar com eles. Já o espaço improvisado de artes era onde eles desenhavam, escreviam, brincavam... Eles que inventaram. Eu só observava como eles se organizavam e ditavam as regrinhas (dizem que aluno puxa professor, né? Imaginem os meus... 😂) A grande questão é que  me peguei refletindo e percebi que esses cantinhos foram de grande ajuda. Criança aprende MUITO brincando, lembrem-se sempre disso. Fora que nós, professores, nos beneficiamos muito desses momentos. Além de ver o desenvolvimento dos alunos (principalmente o individual), ainda conseguimos um tempo de "folga" para terminar de corrigir, lançar notas, fazer planejamento. A gente nunca para, né?

Existem inúmeros textos que valem como reflexão. Eles falam sobre a importância dos cantinhos, como começar, como driblar os comentários dos colegas, sobre o tempo destinado à atividade, dicas sobre como montar e organizar os cantinhos... Vale a pena pesquisar e se aprofundar no assunto.

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